12.5.07

FÁTIMA: 90 ANOS DE RELIGIÃO E NEGÓCIO RELIGIOSO





A 13 de Maio de 1917, num local chamado Cova da Iria, três crianças atiradas para um monte a pastar todo o dia ovelhas e cabras, com as cabeças religiosamente “lavadas” e “drogadas” pelo pároco da sua aldeia de Aljustrel (Ourém), analfabetas e famintas, longe da civilização e de tudo, vivendo como “anjinhos do Senhor” como era costume e obrigação daquele tempo, inventaram uma visão religiosa e disseram que estiveram a falar com uma Senhora vestida de branco e brilhante, que lhe veio do Céu…

Esta “aparição” repetiu-se mais duas vezes, segundo as estórias que os clérigos contaram, depois de chamarem mentirosas às crianças (Lúcia, Francisco e Jacinta), tendo uma sido presa pela administrador do concelho de Ourém, duas foram deixadas morrer (Jacinta e Francisco) e a outra (Lúcia), após a Igreja Católica e o Estado Novo opressivo terem concluído graças a Deus que a “coisa” servia para calar o povinho que passava fome e vivia revoltado, foi encarcerada num convento em Tuy (Galiza-Espanha) até passar para Coimbra onde morrera como uma “santa” sem nunca ter saído para o meio da multidão e sem ter feito alguma coisa de serviço cristão ao povo.

A traços largos é esta a estória que levou à criação do santuário de Fátima, que graças ao dinheiro, ouro e jóias que recebe das adoradoras da inventada Nª Sª de Fátima, a quem no princípio foi chamada de Nª Sª do Rosário, vai em 10 de Outubro ter mais uma basílica cuja construção custou 53 milhões de euros, dinheiro do povo com fé na Virgem.

As religiões são feitas assim: com imaginações, ilusões, fantasias, aproveitamento de fenómenos atmosféricos, inverdades e com a ingenuidade e medo do povinho sem cultura religiosa que acredita em tudo o que “eles” dizem sem os questionarem.

Quantos católicos e católicas saberão, por exemplo, que esta Nossa Senhora de Fátima, como a conhecem, foi feita por um minhoto na Casa de Fânzeres, em Braga? E de uma coisa temos a certeza: não foi feita à imagem de Maria, mãe de Jesus, porque ela era euro-asiática, ou euro-africana, morena, e no seu tempo as roupas eram rústicas, escuras e pesadas.

Mas, como me dizia uma amiga, “eu tenho fé Nela e pronto”. Todavia, a minha amiga e certamente milhões de praticantes desta adoração mariana não tem a mesma fé no Ser Humano, nas pessoas das suas relações, amigos, familiares, vizinhos e nos médicos que lhes curam as doenças e elas vão agradecer a Deus ou aos “santos” de barro e pau. Porquê? Nesta gente que anda de joelhos e de rastos, a orar pelas igrejas e santuários, aos milhões, são raras as pessoas que acreditam no seu semelhante e fazem serviço de Amor ao próximo como o filho de Maria de Nazaré, Jesus, gostaria.

A mim revolta-me, como aconteceu a Jesus Cristo, ver a Religião a fazer dos seus “espaços sagrados” um grande centro comercial, um “shopping”, como acontece em Fátima, Lourdes, Aparecida e no santuário da virgem polaca negra Chestokova.

E não gostei de o Papa Ratzinger ir ver a Aparecida do Brasil e não vir comemorar os 90 anos da invenção de Fátima em Portugal. Ele podia fazer uma coisa a seguir à outra, mas preferiu apanhar um banho de um milhão de brasileiros. O outro “banho” foi-lhe dado pelo presidente Lula da Silva que não aceitou a proposta papal de assinar uma concordata e ainda lhe ensinou que o Estado e a Igreja não se devem “casar”, certamente a pensar na ditadura do Islamismo nos países árabes e muçulmanos, o que não se coaduna com a tradição política dos “nossos irmãos”.

É tudo o que sinto para escrever 90 anos depois sobre esta estória da Cova da Iria mal contada por “eles” e engolida pela fé dos portugueses e pelos turistas estrangeiros da religião que gostariam, como eu, de ver o mundo com mais uma Deusa com o nome português de Maria, fosse ela tão bonita e bela como a imagem de Fátima, ou feia como uma campónia que nunca conhecemos nascida numa aldeia remota e pobre do Médio Oriente…

Texto de MARQUES PEREIRA

Foto: A.N.I.

Webmaster: Paula Medeiros

5.5.07

GRANADA E “LA ALHAMBRA”



Ultimamente, muito se fala na escolha das sete maravilhas do mundo. Coincidência ou não, aproveito este momento para por duas maneiras prestar minha homenagem a esta encantadora cidade espanhola que absorveu a mim e minha família durante este tempo em Espanha.

A primeira maneira é para afirmar que irei sufragar um dos meus votos a este castelo na escolha de uma destas maravilhas. Na verdade, é fazer justiça a este monumento mundial.

“La Alhambra” significa muralha vermelha. O castelo foi construído entre 1248 e 1364 no reinado árabe de Ibn – al – Ahmar. O palácio sofreu modificações depois da conquista cristã da cidade (1492) e também pelo imperador Carlos V (1516-1556). Em 1812 por ordem de Napoleão Bonaparte algumas partes foram destruídas, bem como um sismo em 1821 ocasionou estragos.

Nada porém fez o mesmo perder a sua importância. Em 1828 foi iniciado o restauro pelo arquiteto José Contreras e que permanece quase igual ao que é hoje.

Assim além de ser a marca principal desta cidade e tendo enfrentado tantos desafios faz mais do que jus a ser maravilha mundial.

Seguindo neste espírito, tomo a liberdade de abrir espaço em nossa Lusitânia de pela primeira vez escrever algo que não é na língua de Camões, mas que no contexto é minha outra maneira de prestar minha homenagem pessoal a quem nos promoveu tantas oportunidades. Para falar do tempo, transcrevo um pequeno poema em espanhol feito por minha filha:

¿Qué se lleva el tiempo?

El tiempo se lleva la infancia

Se lleva,

todos aquellos momentos de descubrir algo nuevo

de experimentar algo por primera vez.


Se lleva consigo,

memorias de una infancia llena de alegrías, esperanzas y sueños.

Apenas dejando al final,

soledad y sosiego eternamente.

(Paula Medeiros)




Texto: Paulo Medeiros

Foto: Paulo Medeiros

Webmaster: Paula Medeiros

28.4.07

MÉDICO BRASILEIRO “AGITOU” O 25 DE ABRIL






Na manhã da cerimónia comemorativa dos 33 anos da retoma da Liberdade e da Democracia pelos portugueses, após o golpe militar de 25 de Abril de 1974 que derrubou a ditadura de Salazar, na Assembleia da República, em Lisboa, na bancada do povo-povo obrigado a estar calado ouviu-se a voz forte de um médico-pediatra brasileiro que trabalhou como tal no Hospital São Marcos, de Braga, histórica cidade-capital do Catolicismo de Portugal, gritando e calando toda a classe política presente no hemiciclo democrático.

Ele apenas pediu Liberdade para trabalhar e direitos iguais para todos os trabalhadores imigrantes.


Eu, não sendo um trabalhador migrante, exijo o mesmo!

E no 1º de Maio de 2007, Dia dos Trabalhadores, gostaria que todos exigissem e gritassem por Liberdade para todos os milhares de trabalhadores brasileiros que vieram para Portugal para trabalhar!

A Liberdade sem liberdade é uma hipócrita Ditadura maquilhada e mascarada de mulher livre e bonita…



Texto: Marques Pereira
Foto: A.N.I.
Webmaster: Paula Medeiros

21.4.07

AMERICA LATINA (Considerações pessoais)



Estes anos de Europa me proporcionou muitas coisas, e dentre elas destaco uma ampla modificação no aspecto de ver o mundo e muitas outras coisas.

Esta minha primeira afirmação baseia-se principalmente em minha oportunidade pessoal de poder conviver não somente com outra cultura, mas principalmente compartilhar idéias com outros de outras nacionalidades. E em meio a este mundo tão globalizado, vivendo em terras de Espanha, passei a conviver com outros sul-americanos hispano descendentes.

Tenho companheiros argentinos, venezuelanos, colombianos, etc. Muitos dos laços que os une a Espanha, são muito parecidos como os que nos une a Portugal. Mas a realidade política atual modificou, e muito, todos estes laços. Para isto há inúmeras causas tais como a imigração oriunda destes países, bem como esta união européia.

Continuando, e ainda falando das relações entre Espanha e os demais países da fala hispânica, muito também tem mudado, para se ter uma idéia chegou-se neste momento a se exigir vistos de entrada para entrar em Espanha. Isto é forte, e é como se de repente os brasileiros necessitassem de um visto para entrar em Portugal. O que até não seria má idéia depois de tantas injustiças e desencontros no aeroporto de Lisboa.

O que eu quero dizer com tantos comentários é simplesmente afirmar que essa balela de laços históricos e outras coisinhas na prática não servem de nada. Os europeus construíram o seu bloco e o que vem de fora pouco está interessando.

Os brasileiros historicamente mal olhavam aos seus vizinhos. Durante séculos era como se não existissem. Do lado de lá tudo também era muito parecido. Felizmente em estes dias mais atuais a mentalidade democrática e novos governos estão abrindo caminhos para que tenhamos vida e projetos comuns. Descobriu-se de ambos os lados que temos a necessidade de fazer a nossa parte pois assim teremos uma oportunidade história de mostrar ao mundo que não somente existimos, mas que também somos fortes tanto na política como economicamente.

Para o leitor ter uma idéia, imagine uma união completa entre Brasil, Argentina e Venezuela. Já dá o que pensar...

Primeiramente, temos que resolver o dever de casa. Diminuir nossas desigualdades, promover nosso crescimento econômico principalmente livre do capital internacional.

Tudo que falo não é um sonho, é acreditar que temos capacidade e potencial. É triste ver uma terra que no passado recebeu tanta gente e a quem deu tantas oportunidades hoje ter que ver seu jovens emigrarem para Europa ou Estados Unidos para trabalharem em subempregos e serem explorados por aqueles que nem sequer reconhecem a sua existência.

Realmente, não necessitamos passar por isto! Temos que integrar para não entregar...


Texto: Paulo Medeiros
Webmaster: Paula Medeiros
Foto: http://www.marxist.com/bolivia-peoples-assembly090605.htm

13.4.07

FLORESTA DE LIBERDADE



Poucos gostam da minha floresta de eucaliptos

Bordejada de sobreiros, um castelo e olivais

Ela é como uma visão de flautas e mitos

Onde as aves cantam por entre os canaviais


São eucaliptos de copas erguendo-se aos céus

Grandes e esguios como as meninas das modas

A desfilar vivas e firmes pelos olhares dos deuses

Que de tão baloiçantes e nuas eles querem todas


Nada cresce no chão atapetado dos eucaliptais

Mas nascem rebentos e há sempre mais

Destas árvores que bebem água e dão papel


E numa clareira há colmeias que dão mel...

Na minha floresta verde de grandes eucaliptos

Entra o Sol, o Amor e a Liberdade sem dor nem gritos!



Texto: Marques Pereira

Foto: Marques Pereira

Webmaster: Paula Medeiros


7.4.07

BRASILEIROS EM PORTUGAL


Durante séculos os Portugueses imigraram para o Brasil. Foram vários milhares numa regular continuidade. Foram como colonos agrícolas, mineiros, empregados comerciais, trabalhadores da indústria e ainda como políticos activistas fugidos à injustiça dos ditadores.

Se olharmos a reciprocidade deste fenómeno verificaremos que a presença de brasileiros em Portugal não teve uma expressão significativa. Apenas a partir da década de 80 do século passado se assistiu em Portugal ao crescimento regular de fluxo de imigrantes brasileiros para Portugal.

A emigração para Portugal apresenta uma evolução constante entre os anos de 1980 e 1987 tendo aumentado significativamente entre 1987 e 1995. A partir do ano de 1999 o número de imigrantes sem documentos aumentou.

As associações de brasileiros em Portugal estimam em cerca de 15 mil os imigrantes brasileiros em situação ilegal que residem no país. Estima-se que a comunidade brasileira em situação regular é de cerca de 60 mil pessoas. Serão, portanto umas 75 mil almas brasileiras a residirem em Portugal. Mais? menos? Não sei.

Segundo alguns estudiosos não se conhecem muito bem as motivações destas emigrações de brasileiros para Portugal.

Creio no entanto que o que motivou a vinda de milhares de brasileiros para Portugal foram essencialmente algumas destas hipóteses:

1 – A língua comum.

2 – Uma cultura muito próxima que séculos de história cimentaram.

3 – Alguns acordos bilaterais.

4 – Possibilidade de obtenção da nacionalidade portuguesa.

5 – Algum investimento, já significativo, económico de alguns empresários brasileiros em Portugal.

6 – A possibilidade de entrada numa Europa cujo mercado comum começa a solidificar-se. Será?

Os brasileiros estão concentrados nas grandes cidades das regiões de Lisboa, do Centro do país (Aveiro e Coimbra) e no Norte (Porto e Braga). No Algarve, pelo menos nos meses de Verão, a sua presença como trabalhadores sazonais é já uma constante também.

Não me parece que haja já algum estudo rigoroso que nos permita identificar o perfil sócio-económico da comunidade brasileira no nosso país. No entanto posso indicar, sem falhar muito, algumas características que me parecem caracterizar esta comunidade.

a) – Comunidade jovem e em busca de uma primeira oportunidade de trabalho.

b) – Emigrantes temporários.

c) – Gente com escolaridade acima quer das médias brasileira quer portuguesa tentando, se possível, dar o salto para a Europa comunitária.

d) – Diversidade social.

Entre esta diversidade social encontra-se de tudo. Estudantes universitários, quer de licenciatura quer de mestrado ou doutoramento.

Jovens que vem passar uns tempos de férias e ganharem algum dinheiro e contactos para posteriores vindas definitivas ou passagem para outras zonas euro.

Mulheres jovens e bonitas que muitas vezes para atingirem os seus objectivos começam por se prostituirem.

Na Visão de 1 de Março de 2007 é publicada uma reportagem exclusiva acerca do tráfico de mulheres, dentre as quais muitas chegam do Brasil. Segundo essa reportagem "as mulheres chegam a Lisboa ou ao Porto por via aérea directa, mas, como arriscam um controlo mais apertado , preferem desembarcar em Paris ou Madrid. Seguem depois por via terrestre rodoviária para o Norte de Portugal (sobretudo Braga)".

No nosso prédio tivemos um grande problema por causa de uma jovem brasileira que se instalou num dos apartamentos, alugado obviamente, e recebia homens a toda a hora do dia e da noite tendo levado a que o condomínio tonasse medidas drásticas. Era um forró dia e noite.

Também se tem verificado grande quantidade de brasileiros que se dedicam às mais estranhas formas de religiões.É um pulular de seitas religiosas. São os da IURD, os espiritas seguidores de Alan Kardec e mais uma data de outras seitas religiosas.

Com a sua voz meiga e seu sotaque melodioso lá vão consegindo captar para as suas fileiras muitos portugueses mal formados e semi-analfabetos.

Numa sociedade que saiu apenas há 33 anos de uma ditadura politico/religiosa, iletrada, com cada vez menos condições dignas de um país do pelotão da frente, religiões agressivas e hábeis vão-se instalando e procurando compensar com as suas promessas o que o Estado deveria garantir.

Prometem a salvação divina, o paraíso, o bem estar a quem já passa fome e sacrifícios vários. Há já quem por não poder pagar o gás para cozinhar tenha voltado a usar as máquinas a petróleo. Isto passa-se na capital, Lisboa e em lares até aqui da classe média.

Numa sociedade onde fecham escolas, centenas de escolas, urgências hospitalares, maternidades e fábricas é demasiado fácil penetrarem estas seitas religiosas. Um Povo sem justiça, dos homens, procura sedentemente por justiça divina. Num país onde a minoria consome a quase totalidade dos recursos monetários já de si exíguos, onde as reformas se verificam apenas para os mais desfavorecidos, mantendo apenas as regalias para pequenas elites, é muito fácil que certas seitas se instalem.

Tenho vários amigos brasileiros. Médicos, enfermeiros, historiadores e professores. São competentes, são simpáticos mas parece-me que em certos sectores são um pouco marginalizados.

Uma outra grande fatia de emigrantes brasileiros estão nas equipas de futebl. Quase todos os fins de semana, na hora de entrevistar os jogadores, no fim de cada jogo, é raríssimo que se não fale em brasileiro.

Não me aborrece absolutamente nada que haja emigrantes de todos os quadrantes incluindo do brasil. Nós, os Portugueses, por triste fado ou má governação, há séculos que temos que partir á procura de melhores condições de vida.

E isso é que chateia. Porque é que o Luxemburgo, por exemplo, pode pagar o ordenado mínimo a mais de 1500 euros por mês e nós, nação valente e imortal, que deu novos mundos ao mundo, apenas pagamos uma esmola.

Mesmo assim os brasileiros, por má governação desse enorme país que já foi nosso, ainda se sentem compensados monetariamente atravessando esse mar imenso em busca de dignidade e de uma vida que não tenha que passar pelas fabelas, essas vergonhas sociais.

Para que minúsculas elites continuem a manter para si as riquezas do mundo, milhões de seres humanos, entre eles brasileiros e portugueses, procuram diariamente dar o salto para lugares onde sociedadas melhor organizadas lhes permitam viver com dignidade , justiça e segurança.

Mas, pelo que me parece observar, a estabilidade tem os dias contados, pelo menos ao nível europeu.

A constituição europeia, que certa camada social quer impor aos demais, acabará por amordaçar e destruir um bem estar social que a europa conseguiu atingir.

São milhões os desempregados. Outros tantos os que tem precariedade no emprego e outros tantos ainda os que apenas esperam o desemprego a pobreza a miséria totais.

Creio que se está a criar uma nova sociedade de escravos, de gente sem emprego, sem direito a habitação, nem a escola, nem a saúde, nem a uma velhice condigna e uma morte sossegada.

Os milhões transitam entre as mãoes de meia duzia de capitalistas ficando as migalhas para uma massa humada descumunal que vive já miseravelmente.

Essa pequena percentagem de seres humanos detentores do poder e do dinheiro instalam-se onde o momento lhes der mais jeito. Fecham fábricas nuns locais, atiram para o desemprego e para o desespero milhares de seres humanos já em idades avançadas e vão-se instalar noutros locais onde lhes cheira a mão de obra barata que é o mesmo que dizer novos escravos.

O que pretendem é o lucro a qualquer custo.

E os Povos, quais baratas tontas, deambulam pelo planeta em busca de uma estabilidade que nunca mais chega nem chegará pois as elites apossaram-se dela e não pretendem largá-la.

Nunca se viu em século nenhum tantas fortuna acumuladas nem tanta gente a morrer de fome, de sede e de miséria.

Parece-me que a europa está a criar uma massa humana tão grande de gente pobre, sem emprego e desesperada, que não será difícil de antever anos de convulsões, manifestações e revoltas.

As comunidades brasileiras que cá vivem, de todas as profissões e idades, vieram seguramente á procura do el dourado como há séculos os portugueses foram em busca da árvore das patacas.

O el dourado existe, a àrvore das patacas também apenas foram apropriados pelas mãos erradas.

Creio que para que haja justiça social, distribuição equitativa das riquezas deste belo planeta é necessário e urgente mudarmos o rumos dos acontecimentos o que é o mesmo que dizer que se devem retirar esses bens a quem deles se apropriou indevidamente.

Não é possível que num planeta cuja tecnologia atingiu níveis fabulosos haja poucos com tudo e milhões sem as condições mínimas de subsistência.

Para as religiões, infelizmente, esta catrástrofe vai tendo explicação. Para quem, como eu, não é religioso, não tem.

É a mais vil ditadura do capital.



Texto: João Lagarto Brito

Webmaster: Paula Danielle Medeiros


31.3.07

DIA DAS MENTIRAS É TODOS OS DIAS


Quem já leu e pensou nas estórias da História e da Religião que os historiadores e os religiosos escreveram e continuam a escrever, certamente terá chegado a esta conclusão: a História nem sempre se cinge à Verdade dos factos, antes revelam a Mentira a quem não interessam as verdades.

Todos sabemos (ou deveríamos saber) que uma Mentira contada muitas vezes, seja oralmente ou por escrito, pode transformar-se numa “verdade” política ou religiosa, consoante o receptor a quem e mensagem tenha sido transmitida por políticos ou religiosos.

A Religião é o exemplo maior do que as mentiras são capazes de influenciar e alterar o comportamento da mente humana, levando os fracos de espírito a acreditar em coisas que nunca existiram e a criar ódios e guerras que ainda não acabaram.

A Política, filha amada da Religião, vem a seguir. Um facto histórico recente demonstrou como a Mentira pode iludir alguma opinião pública e arrasar uma nação e um país. Quem ainda não tem conhecimento do crime contra a Humanidade cometido por George Bush, presidente de um país norte-americano (USA) que se diz cristão e lutador pela Liberdade e Democracia, com o apoio indesmentível (na reunião das Lages-Açores) dos primeiros-ministros da Inglaterra (Tony Blair) e dos muito católicos José Aznar (Espanha) e Durão Barroso (Portugal, hoje presidente da União Europeia)?

Tenho referido neste “blog” e em alguns jornais que a Mentira está sempre presente no que lemos e ouvimos, e até no que dizemos, reduzindo o espaço para a Verdade ser fiável e se impor na nossa vida.

A Mentira está sempre a querer obrigar-nos a crer que a Verdade não está naquilo que vemos e tocamos, mas naquilo que “eles” dizem e escrevem.

Mas até aquilo que vemos, tocamos e temos é merecedor da nossa desconfiança cerebral ou suscita-nos dúvidas.

Na actualidade tecnológica a realidade pode ser construída, transformada, adulterada e manipulada como se estivéssemos a utilizar um computador com um programa de Photoshop que melhora, piora, reduz, aumenta, ilude, modifica as imagens para parecerem aquilo que “eles” querem que pareçam e sejam aquilo que nós poderemos querer, ver, crer e conviver.

As estórias da Política são ditas e escritas pelos políticos conforme os seus interesses de exercer o Poder.

As estórias da Religião, Divino e Sagrado são feitas de imaginação, mentiras, demências religiosas e palavras mansas e fluentes.

Se eu perguntasse “O que é a Religião?”, certamente que só os religiosos que andam por dentro dos templos é que saberiam responder utilizando tudo o que imaginaram, mas nunca explicando cientificamente, nem mostrando verdadeiramente, a realidade e a Verdade do que dizem.

E o que é o Sagrado, senão uma “decisão” pessoal e colectiva dos manipuladores e dos praticantes das religiões? Sagrado e consagrados são o que “eles” querem, não todos os “filhos de Deus” que por o serem deviam sê-lo sem nomeações nem intervenção das hierarquias dominantes. Sagrada é a vida de todos os seres humanos, animais e flora –mas porquê a Religião matou, mata e deixa destruir? Sagrada é a Natureza que produz o Ar que nos mantem vivos no nosso planeta –mas porquê a Religião não a considera como uma Deusa de tudo o que está vivo, respira e morre naturalmente? Enfim, para que serve o Sagrado ao Ser Humano comum, livre, não afectado pelos deuses e diabos criados pela Religião?

Quanto às estórias do Divino não há qualquer sustentáculo histórico; apenas divagações e tretas gratuitas. Se os deuses são tão poderosos e bons, porque não acabam com a fome, a miséria, a maldade, a injustiça, as doenças sem cura, a guerra, as inclemências do tempo?

Os faraós Egípcios mandaram construir grandes túmulos fúnebres, as pirâmides, onde os seus cadáveres eram colocados para depois subirem para o Céu, daí tais monumentos histórico-religiosos apontarem para o Alto. O que aconteceu passados alguns milhares de anos? Os arqueólogos começaram a escavar na areia que taparam as pirâmides e foram encontradas as múmias dos faraós ainda na Terra, rodeadas das jóias e dos cadáveres dos escravos que os tratariam até partirem. Mas nunca partiram, porque da Morte ninguém regressa e ninguém ressuscita.

Jesus de Nazaré divinizou-se ao dizer que era “Filho de Deus”, quando todos sabemos pelas estórias contadas que o pai Dele foi o carpinteiro José de Nazaré. E, quanto à estória de Ele ter ressuscitado, a Mentira ainda anda a ser propagada num pedaço deste mundo.

Teria sido uma Mentira do nazareno Jesus aquela “profecia” de que o mundo ia acabar no Ano 1000? Mas como a Terra continuou viva, “eles” alteraram o fim do planeta para o Ano 2000. E o nosso mundo continua vivo e a girar à volta do Sol, não por graça e obra de Deus, mas porque o Universo o vai permitindo.

Nero, o louco imperador de Roma, é um exemplo da demência religiosa que entra na construção do Divino. Ele, querendo todos os poderes da Terra e do Céu, desvairado pelo ódio que tinha aos Cristãos, divinizou-se, fez-se um deus, para que fosse adorado mais do que Jesus de Nazaré e outras divindades do mundo de então dominado pelos Romanos.

O norte-americano Joseph Smith Jr disse que teve uma visão e falou com Deus e Jesus, há cerca de 180 anos. Escreveu uma nova bíblia a que deu o título “O Livro de Mórmon” (The Book of Mórmon), na qual se lê que Jesus de Nazaré nasceu em Jerusalém e não em Belém da Palestina como dizem os Evangelhos (Mateus 1:20), que são a Bíblia Sagrada (Novo Testamento) e a base religiosa do Cristianismo de que nasceu o Catolicismo. Os evangelistas que foram discípulos de Jesus mentiram, ou está a mentir o profeta mórmon da Igreja SUD?

Outro norte-americano a quem atribuem (?) o advento da Igreja Adventista, William Miller, armou-se em “profeta” e disse ao rebanho que juntou: “Jesus vai ressuscitar em 1843”; não ressuscitou, como qualquer racional livre de religiões esperava. Para manter o rebanho junto e a render-lhe dinheiro, disse que houve um engano e alterou a data da ressuscitação para 1984. Nada ocorreu. Como este cultivador da Mentira há milhões na Religião, mas o povinho continua a cair nestas aldrabices e vigarices religiosas.

O padre Luís Kondor, clérigo que tem vivido à custa da Mentira que foram as “aparições” de Maria de Nazaré na Cova da Iria, sendo inventada daí a Nossa Senhora do Rosário que depois foi rebaptizada de Nossa Senhora de Fátima, afirmou recentemente que Lúcia, a mais velha dos “três pastorinhos” que armaram a mentira das visões, foi superior à santa Madre Teresa de Calcutá, a qual fez, na Índia, uma grandiosa obra cristâ pelos adultos, crianças e doentes abandonados pelas ruas, tratando-os, dando-lhes comida e um tecto, espalhando pelo mundo dos pobres mais pobres um Irmandade de serviço de Amor. O Padre Kondor proferiu uma Mentira própria de analfabetos, surdos e cegos, com a intenção de alargar o negócio de Fátima com uma “santa” Lúcia que passou a vida presa em três conventos e nunca mexeu uma palha para fazer o Bem a alguém. E até já lhe começaram a arranjar “milagres”, mesmo sabendo-se que os mortos não têm vida para ajudar os vivos que sofrem e são injustoçados.

O actual Primeiro-ministro de Portugal ganhou as eleições com a promessa de que não aumentaria os impostos. Depois de tomar posse todos os impostos aumentaram. Mentiu para ganhar.

A Política e a Religião são feitas de Mentira, não somente os mitos e as lendas, Deus, o Diabo e as “nossas senhoras” de Fátima e Aparecida.

O Dia das Mentiras nasceu em França, onde a chegada do Ano Novo era festejada a 25 de Março, no primeiro dia da Primavera, e a festa durava até 1 de Abril. Com a adopção do Calendário Gregoriano, em 1564, o rei Charles IX colocou a festa em 1 de Janeiro. O povo francês não gostou da alteração e continuou a festejar a 25 de Março, tornando-se o 1 de Abril um “dia de mentira”.

No Brasil, o “Dia das Mentiras” começou a ser comemorado a 1 de Abril de 1848, data em que começou a ser publicado em Pernambuco um jornal periódico com o título “A Mentira”, o qual informou que o rei D. Pedro tinha falecido, o que era Mentira.

E Você, Leitor, se é um mentiroso convicto e militante, aproveite o 1 de Abril para sentir como é bom para o cérebro e saudável para o coração falar e escrever sem recorrer à Mentira. E não me chame “mentiroso” por ter escrito o que acabou de ler atrás, sem antes pensar e procurar esclarecer-se na literatura que a sua Religião e a sua Política lhe proibiram de ler…

Texto: MARQUES PEREIRA

Foto: A.N.I.

Webmaster: Paula Medeiros

24.3.07

RIO SÃO FRANCISCO


Este rio , um dos mais importantes do Brasil, é hoje no noticiário mundial bastante falado devido a um mega projeto de desviar-se parte de suas águas para o semi-árido Nordestino e consequentemente minimizar os efeitos prolongados da estiagem . Assim, há a corrente dos favoravéis e os que são contra. Bem, antes de continuar no assunto vamos conhecer um pouco do rio:

Foi descoberto em 4 de outubro de 1501, pelos viajantes Américo Vespúcio e André Gonçalves. Os índios que habitavam a região chamavam-no de Opara, que significa rio-mar. Recebeu o nome de São Francisco em homenagem a São Francisco de Assis, nascido na Itália 319 anos antes do seu descobrimento.

Ele nasce na serra da Canastra no município de Piumi, oeste de Minas Gerais e desemboca na Praia do Peba no estado de Alagoas. É conhecido também como Rio dos Currais por ter servido de trilha para transporte e criação de gado na época colonial, ligando a região Nordeste às regiões Centro-Oeste e Sudeste.

É considerado o terceiro maior rio do Brasil, possui 3.163 quilômetros quadrados de extensão e sua bacia possui 640.000 quilômetros quadrados de área, o que eqüivale a sete vezes o país de Portugal.

Apesar da euforia dos nordestinos brasileiros, o projeto é muito contestado por ecologistas , especialistas e ate mesmo estudiosos muito conhecidos. Quero destacar a carta que do Frei leonardo Boff enviou recentemente ao Presidente Lula da Silva:



"O governo, através do Ministério da Integração Nacional, declarou que "vai
sair do campo da retórica" e já vai proceder a licitação das obras, orçadas
nesta etapa em R$ 100 milhões, em vista da transposição do rio São
Francisco. Derrubadas as liminares na Justiça, dissuadido o bispo que fez
greve de fome, Dom Luiz Flávio Cappio, e com o discutível aval do Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais e Renováveis (Ibama),
pretende o governo realizar agora a transposição. O argumento de base é
emocional: "não se pode negar uma caneca de água a 12 milhões de vítimas da
seca".

É exatamente no afã de dar água ao triplo de vítimas da seca que se deve
questionar o projeto. Baseio meus dados num artigo do respeitável jornalista
Washington Novaes publicado no dia 23 de fevereiro em O Estado de S.Paulo –
"Um novo desfile e a mesma fantasia" – e em outras fontes.

O apoio principal do projeto foi dado pelo Conselho Nacional de Recursos
Hídricos, onde o governo federal, sozinho, tem a maioria dos votos. Ao
contrário, grandes especialistas na área, como os professores Aziz Ab´Saber
e Aldo Rebouças, da Universidade de São Paulo, Abner Curado, da Universidade
Federal do Rio Grande do Norte, e João Suassuna, da Fundação Joaquim Nabuco,
mostraram que o problema no semi-árido é mais de gestão do que de escassez.

A Agência Nacional de Águas (ANA) mostrou que é possível abastecer os
municípios sem precisar da transposição do rio. O IBAMA, que deu o aval,
forneceu, sem querer, argumentos contra o projeto. Reconhece que 70% da água
seriam para irrigação e 26% para o abastecimento de cidades; que a maior
parte da água transposta iria para açudes onde se perde até 75% por
evaporação; que 20% dos solos que se pretendia irrigar "têm limitações para
uso agrícola"e "62% dos solos precisam de controle, por causa da forte
tendência à erosão".

O Tribunal de Contas da União diz que o projeto não beneficiará o número de
pessoas pretendido. Efetivamente, as comparações entre os projetos do
governo e da ANA, feitas por Roberto Malvezzi, bom conhecedor da bacia do
São Franscisco, mostrou que o do governo custaria R$ 6,6 bilhões, atenderia
apenas a quatro estados (Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará),
beneficiando 12 milhões de pessoas de 391 municípios, enquanto o projeto da
ANA custaria 3,3 bilhões, atingindo nove estados (Bahia, Sergipe, Piauí,
Alagoas, Pernambuco, Rio do Norte, Paraíba, Ceará e Norte de Minas),
beneficiando 34 milhões de pessoas de 1.356 municípios.

O próprio Comitê de Gestão da Bacia, que conhece bem as questões do rio, foi
por 44 votos a 2 contra a transposição; diz ainda que esta atende a menos de
20% do semi-árido e que 44% da população do meio rural continuariam sem
água.

São razões de grande peso.

Se o governo quiser efetivamente levar água aos sedentos do Nordeste, deve
reabrir a discussão pública ou então encampar o projeto da ANA. Caso
contrário, podemos contar com nova greve de fome do bispo. Entre o povo que
não quer a transposição e as pressões de autoridades civis e eclesiásticas,
ele ficará do lado do povo. E irá até o fim. Então a transposição será
aquela da maldição, feita à custa da vida de um bispo santo e evangélico.

Estará o Governo disposto a carregar esta pecha pelo futuro afora?".


Texto e pesquisa : Paulo Medeiros
Webmaster: Paula Medeiros

17.3.07

SE NÃO EXISTISSEM FRONTEIRAS, BANDEIRAS, HINOS, RELIGIÕES, CAPITALISMO, MILITARISMO E COMUNISMO O SER HUMANO VIVERIA EM PAZ E LIBERDADE?


A Organização das Nações Unidas (ONU) acaba de prever que em 2050 o mundo terá 9,2 mil milhões de habitantes. Caberá tanto Ser Humano nos países em que nasceram e vivem?

As terras, os muros e as fronteiras têm sido ao longo dos milénios selvagens e civilizados o motivo que leva os homens a lutar e guerrear contra outros homens. As terras para cultivo e pastagens. Os muros para delimitar e defender a posse de um terreno, quinta, jardim ou casa. Os marcos para avisar que existe uma fronteira física e legítima do país fronteiriço. Quem não conhece a existência da Grande Muralha da China construída para defender esta nação dos apetites territoriais e ataques dos Mongóis? Quem não soube da existência do Muro de Berlim a dividir a Alemanha? Quem desconhece o muro de Israel que foi recentemente construído na Palestina para evitar os ataques dos fanáticos islâmicos que se transformam em “bombas humanas” contra o povo israelita? E, ainda mais recente, o muro que os USA levantaram na fronteira com o México para evitar a entrada de mexicanos esfomeados e sem trabalho naquele chamado “país da liberdade” e “o pais mais rico do mundo”?

Na modernidade, porém, é o Capitalismo sedento de petróleo e dinheiro que leva os países mais poderosos a criar frentes de agitação, insatisfação e guerras para além das suas fronteiras, como está a demonstrar a actual política de mentira e poderio militar dos “yankies” norte-americanos e dos “beefs” ingleses na destruição no Iraque.

Os hinos, que são a cantiga do Patriotismo e da excitação à Guerra, ou são pacíficos ou guerreiros, como o de Portugal que faz os Portugueses gritar “Às armas! Às armas!” e “Contra os canhões, marchar, marchar!” em momentos patrióticos, político-partidários e nos estádios de futebol antes da “equipa das quinas” começar a jogar.

As religiões são invenções de paraísos de Paz que se transformam em “santos” movimentos de massas humanas para rezar, civilizar conforme a sua moral, manipular a pessoa, guerrear e matar seres humanos que se lhes oponham. Basta olhar para a história do Cristianismo transformado em Catolicismo e para a fundação do Islamismo. E na actualidade ainda podemos olhar para o que está a acontecer, religiosamente, no Iraque, Afeganistão, Palestina, onde há religiões e religiosos armados a combaterem-se uns aos outros com a “ajuda” das suas inventadas divindades.

O Comunismo, aberto ou fechado, com um nome ou outro, continua a ser oposição ao Capitalismo, mas já anda a cair para o lado do Dinheiro. Exemplos são as viragens da URSS para a Rússia capitalista e democrática (?) e da China para o mundo exterior do Capitalismo, estando a fazer de si uma imagem do “comunismo capitalista” e a transformar-se numa força económica que está a lançar o pânico e a abrir brechas no mercado internacional, global, vendendo produtos mais baratos e acessíveis aos consumidores, porque obriga os chineses a trabalhar 10 horas por dia e a só terem dois dias de descanso por mês.

Se todas as fronteiras estivessem abertas, como podem estar as dos 25 países da União Europeia, as pessoas sentiriam nessa liberdade de circular pelo mundo uma possibilidade de melhorar a sua vida, pois nuns países há mais riqueza e trabalho do que noutros. Mas essa liberdade de circular na UE existe ou é apenas uma ilusão política? Um exemplo: um espanhol mesmo que casado com uma portuguesa, para viver em Portugal tem de pedir e exibir uma licença, apesar de a Espanha ser territorialmente uma vizinha e um parceiro da União Europeia. E se todos migrassem para os países onde há trabalho, pão e apoio à vida, seria que o Ser Humano voltaria aos tempos primitivos em que se deslocava à procura de alimentos e de melhores climas para sobreviver? Veja-se o que está a acontecer na fronteira do sul dos USA, onde o “cristão” George Bush mandou construir um muro para barrar a passagem aos católicos mexicanos esfomeados, pobres, sem nenhuma esperança de sobrevivência no “país da tequilla”…

As bandeiras são o elemento do folclore do simbolismo nacional de qualquer país, clube de futebol, religião, empresas multinacionais. Como pano com desenhos e cores vivas, ou como um simples adorno do vento que passa, não fazem mal a ninguém, mas como símbolos podem impor uma ditadura, identidade, invasões, guerras e matanças. Estou a lembrar-me das bandeiras e pendões com o rosto de Cristo que os assassinos das Cruzadas usavam nas suas incursões contra os Cristãos e Islamitas do Oriente obedecendo a ordens a papas da Igreja Católica Romana…

Os hinos são cantigas nacionalistas que quando os cidadãos os sabem cantar satisfazem o seu orgulho nacional. Alguns até são poemas bem musicados, bonitos, alegres; e outros, como o de Portugal, são empolgantes e contêm violência e guerra nos seus versos acompanhados pelo no rufar dos tambores.

As religiões foram uma invenção dos medos do Ser Humano e continuam a fazer adeptos de pessoas com medo do mundo e por não saberem pensar por si próprios. Alguns fiéis só o são para pertencerem a um grupo social-religioso, pois o Homem e a Mulher de hoje não podem viver isolados dentro de si e sem uma protecção humana ou outra mesmo que seja falsamente divina. No Céu ninguém lá vive nem está morto. O Paraíso não foi encontrado por nenhum astronauta, nem pelas máquinas-satélites inteligentes que vagueiam pelo Espaço á procura de conhecer se têm vizinhos astrais. O Inferno existe, sim, mas na Terra, para os que sofrem injustiças, fome, dores, miséria. Mas se as religiões não existissem, com todas as suas mentiras e caridade, viveríamos melhor? Na presente situação política, social e ambiental, creio que todas as religiões e as seitas de crentes e sugadores de dinheiro (não Deus, porque este não existe, não passa de uma Palavra que só faz o que o Homem é capaz de fazer), se deixarem de ser tão hipócritas, tão interesseiras, tão de costas voltadas umas para as outras, ainda poderão fazer alguma coisa para minimizar a catástrofe anunciada para o nosso planeta e a sua vida humana, animal e vegetal. Será uma estupidez pensar que Ele e os santos mortos é que vão salvar o mundo de secar e morrer devido à poluição gerada pelo Capitalismo e pelo Consumismo. E aqueles que esperam o regresso de Jesus da Nazaré como o “Deus Novo”, o salvador do nosso fim à vista, estão religiosamente doidos, porque os mortos não ressuscitam, não voltam a viver. Nem Ele conseguiu isso, apesar de se auto-anunciar como filho de um outro Deus, de Amor e Tolerância, reinventado do vingativo Jeová dos judeus!

O Capitalismo selvagem, que só pensa no Dinheiro e em lucros empresariais e bancários, está sempre a engordar à custa do trabalho das pessoas. É o mal que mais afecta o Ser Humano que precisa de trabalhar para viver. E revelou-se como anti-Terra, tudo transformando e tudo estando a matar. Penso que todos os não-analfabetos têm conhecimento da escravatura que o Dinheiro dos capitalistas está a causar ao Homem e à Mulher comuns.



O Militarismo é o diabo que atira homens contra homens e mulheres contra mulheres, fazendo do Ser Humano carne para os jogos de ambição e vingança de políticos, “carne para canhão” para generais e “hambúrgueres” para bombas e mísseis de destruição. Se Deus realmente existisse, como milhares querem fazer crer enganosamente a milhões, certamente que Ele nunca permitiria que o Militarismo existisse, pois nunca haverá Paz com o Ser Humano a empunhar armas.

O Comunismo já não é o que era após a II Grande Guerra Mundial e no período da “Guerra Fria” da URSS com os USA e a Europa. Os políticos “bolcheviques” que obrigaram nações a ser comunistas e a viver sob a pata de diversas ditaduras “vermelhas” morreram; e os comunistas-novos abriram-se ao Capitalismo produtivo e economicamente competitivo com um olho aberto sobre o desenvolvimento do Ocidente. Mas ainda há ditadores comunistas que mantêm o seu povo sob a proibição de pensar, manipulado e usado como alimento de uma utopia. Aliás, o Catolicismo agiu da mesma forma na Europa, utilizando Jesus Cristo, mas vejam no que a Igreja Católica se transformou até aos dias de hoje, mesmo utilizando os padres-carrascos da Inquisição, ou Tribunal do Santo Ofício, que julgava e matava sumariamente em nome de Deus aqueles homens e mulheres que pensavam e viam de maneira diferente: ficou sem poder político e sem poder social, tornou-se incapaz de deixar os homens e mulheres do seu quadro de pessoal, os “reencarnados”, gerar Vida Humana e inclinou-se para uma religião folclórica, gestora do seu vasto património religioso e de uma riqueza incomensurável que vai aumentando a colher dinheiro e propriedades das suas “ovelhas” e viúvas.

O que nos resta, então, se muita coisa está cada vez pior e mau neste planeta?

Vamos tentar conservar, mesmo os que pensam que vivem bem, o que há de bom e procurar sobreviver o menos pior possível. Os que assim fizerem e conseguirem viver serão os verdadeiros santos dos últimos tempos da Terra que poderão ir até 2050, 2100, talvez 2500, se, entretanto, uma grande asteróide não chocar connosco e se o petróleo não for substituído por outro combustível não poluente, não venenoso, não desertificador.

Pessimista, eu?! Olha para esta foto. O que vês? Poderás viver, semear, criar gado, colher alimentos numa terra seca, ou inundada até à altura dos teus joelhos. Poderás pescar se não houver peixe nos rios e mares? Poderás respirar e viver numa atmosfera com o ar envenenado?

Este texto é fruto da reflexão que me apeteceu fazer, após ter conhecimento de que o gelo está a derreter nos pólos terrestres e a mentira de George Bush e Tony Blair já causou a destruição parcial do Iraque, 650 mil inocentes mortos, dois milhões de refugiados, 3500 militares ocidentais com as vidas ceifadas e uma incontrolada guerra civil.

Se não acreditas, abre os olhos e olha em teu redor e para o que está a acontecer para além do teu tempo de pensar e ver em África, Ásia, Antártida, América Central, Brasil (no nordeste e nas favelas cariocas) e em Portugal nos “bairros-de-lata” dos subúrbios de Lisboa…

Texto: MARQUES PEREIRA

Foto: A.N.I.

Webmaster: Paula Danielle Medeiros