27.9.07

Isto é Brasil!


Nestlé pede, e Kassab reduz carne em sopa


Por solicitação da Nestlé, que queria participar de licitação, Prefeitura de São Paulo piorou a qualidade nutricional do alimento.


Nutricionistas haviam previsto 7 kg de carne a cada 100 kg de sopa; com a mudança, administração passou a exigir só 0,5 kg.

A pedido da Nestlé, a Prefeitura de São Paulo decidiu reduzir a qualidade nutricional da sopa que pretende distribuir em um programa que irá reunir pais e alunos aos sábados nas escolas e creches municipais.A gestão Gilberto Kassab (DEM) diminuiu a quantidade de carne, frango e verdura exigida na sopa depois de um apelo feito pela multinacional durante uma consulta pública para a compra do produto.

A previsão das nutricionistas do município era que uma das sopas tivesse 7 kg de carne, 2 kg de cenoura e 3 kg de "outras" hortaliças (por 100 kg de sopa desidratada a ser distribuída).

Com a mudança feita diante da manifestação da Nestlé, a mesma sopa deverá ter só 0,5 kg de carne, 0,8 kg de cenoura e 1 kg de "outras" hortaliças.A redução na quantidade de carne, frango e verdura exigida na sopa é condenada pela presidente da Associação Brasileira de Nutrição, Andrea Galante, que também contesta a escolha desse alimento para ser distribuído nas escolas municipais.

"Baixar a quantidade de verduras e hortaliças vai contra aquilo que preconiza a OMS [Organização Mundial da Saúde]. Uma maçã tem os mesmos nutrientes que uma porção dessa sopa, que ainda será servida em uma época de calor."O edital prevê a compra de 750 toneladas de sopa desidratada por mês. O Sábado na Escola está previsto para começar no final de semana.O TCM (Tribunal de Contas do Município), no entanto, determinou ontem a suspensão do pregão que ocorreria hoje para definir a fornecedora.Um dos motivos contestados pelo tribunal foi a exigência de que a entrega da sopa, com embalagem personalizada, começasse no dia 15, três dias depois do anúncio do resultado.

O TCM avaliou que a condição só poderia ser atendida por alguém que já tivesse pronta toda a infra-estrutura para distribuição, algo que abriria margem para direcionamento.

R$ 46 milhões

O TCM também considerou que a prefeitura precisa explicar a razão para a contratação de um único fornecedor do programa. Empresas menores alegam que apenas as grandes do segmento teriam condições de entregar a quantidade exigida.

A Nestlé atualmente mantém contrato com a prefeitura para a distribuição de leite nas escolas, tendo pronta sua estrutura logística de entrega.Tanto a multinacional como a gestão Kassab não quiseram se pronunciar ontem.

O valor total do contrato para a compra da sopa não foi informado pela prefeitura. Só na semana passada, Kassab destinou R$ 46 milhões ao programa.A prefeitura também atendeu a outro apelo da Nestlé: a inclusão de pimenta na sopa com carne, que é produzida pela multinacional.A liberação foi considerada "estranha" pela Pink Alimentos, uma das concorrentes da licitação. Em quase quatro décadas fornecendo merenda escolar no país, a empresa afirma desconhecer outros casos de inclusão do produto.

Nutricionistas consultadas pela Folha também disseram que a pimenta não agrega nenhum valor nutritivo à sopa.

Na sua solicitação para alteração do edital de compra da sopa, a Nestlé alegou que a redução dos componentes permitiria a participação na licitação dos maiores fabricantes do setor, que costumam trabalhar com menor proporção dos referidos nutrientes. Sugeriu, dessa forma, uma formulação mais próxima dos produtos vendidos por ela no varejo.

A Secretaria de Gestão, em resposta à solicitação da empresa, acata a sugestão "a fim de possibilitar a participação do maior número de participantes na licitação", conforme ata obtida pela reportagem.

Texto: Reportagem da Folha de São Paulo

Webmaster: Paula Medeiros

Foto: Paula Medeiros

22.9.07

DIFICULDADES DA IGREJA NO MUNDO ACTUAL



Reproduzo, dada a necessidade de reflectirmos sobre o tempo parado e os recuos do Catolicismo, este artigo de opinião saído em 20.09.2007 no jornal de referência português Diário de Notícias.
Cada vez são mais as pessoas que questionam: para onde nos estão a levar as religiões, com tanta violência e pobreza a espalhar-se pelo planeta? Por quê há pessoas a adorar "santos" de pau e gesso, inventados, que nunca foram pessoas, desobedecendo ao 1º Mandamento de Deus?


Anselmo Borges padre e professor de Filosofia


"Tudo começa com um equívoco. Hoje, quando se fala da Igreja, é numa gigantesca instituição e nos seus altos e médios hierarcas que de facto se pensa: Papa, bispos, padres. Já se esqueceu que, no princípio, não era assim, pois Igreja significava a reunião das Igrejas, entendidas como assembleias dos cristãos congregados em nome de Jesus.

Foi com Constantino e Teodósio que tudo se modificou, quando o cristianismo se tornou religião oficial do Estado e a Igreja acabou por transformar-se numa instituição de poder. Desde então, de um modo ou outro, espreitou o perigo de esquecer a Igreja enquanto comunidade dos fiéis a Cristo, que caminha na fé e na tentativa de actualizar no mundo o reinado de Deus a favor de todos os homens e mulheres, sobretudo dos mais pobres e abandonados, para sublinhar sobretudo uma Igreja-instituição, hierarquizada e poderosa. Quem congrega é menos Jesus do que a hierarquia, e a fé está mais dirigida ao dogma do que à pessoa de Jesus e ao Deus salvador.

Depois, tenta-se o diálogo da Igreja com o mundo. Mas que pode entender-se por isso? Também a Igreja não é de facto mundo, embora mundo a partir de uma determinada visão? Pertencemos todos ao mesmo mundo, ainda que a partir de visões múltiplas e diversas. Mas, mesmo no pressuposto do diálogo, ele torna-se difícil, já que houve rupturas quase insanáveis. Pense-se, por exemplo, que até à década de 60 do século passado se manteve o Índex, isto é, o catálogo dos livros cuja leitura era proibida aos católicos. Aí figuravam não só muitos teólogos, mas também os pais da ciência e da filosofia modernas, figuras eminentes da história, da literatura e do direito: Copérnico e Galileu, Descartes e Pascal, Bayle, Malebranche e Espinosa, Hobbes, Locke e Hume, também Kant, evidentemente Rousseau e Voltaire, mais tarde, John Stuart Mill, Comte, os historiadores Condorcet, Ranke, Taine, igualmente Diderot e D'Alembert com a Encyclopédie e até o Dictionnaire Larousse, os juristas e filósofos do Direito Grotius, Von Pufendorf, Montesquieu, a nata da literatura moderna, de Heine, Vítor Hugo, Lamartine, Dumas pai e filho, Balzac, Flaubert, Zola, a Leopardi e D'Annunzio, entre os mais recentes, Bergson, Sartre e Simone de Beauvoir, Unamuno, Gide. Com o fim do Índex, não terminaram as censuras a dezenas de teólogos, entre os quais Hans Küng, Leonardo Boff, J. Masiá, Jon Sobrino. Como se a Igreja vivesse sob o reflexo do medo de quem ousa pensar. As dificuldades são diversas, tanto ao nível da doutrina como da própria organização. O mundo moderno pôs em causa o princípio da simples autoridade vertical, mas a Igreja tem dificuldade em aceitar a dúvida e argumentar. Ao princípio da democracia a Igreja contrapõe uma monarquia absoluta. Na sociedade civil, aos dirigentes aplicam-se denominações funcionais: ministros, reitores, directores, mas, na Igreja, o Código de Direito Canónico continua com categorias quase ontológicas: são "superiores" e até "superiores maiores", o que implica que os outros são "inferiores". Jesus tinha dito: "sois todos irmãos". Mal um padre é nomeado bispo fica o seu nome próprio precedido de "Dom", abreviatura de "Dominus" (senhor), título senhorial antiquado. Dificuldade maior é a reconciliação com o corpo, com a sexualidade e com as mulheres na sua igualdade com os homens. Do ponto de vista doutrinal ainda hoje causa espanto que o padre Teilhard de Chardin, o cientista que tentou conciliar a fé com uma concepção evolucionista do mundo, continue sob suspeita. Mas como se pode proclamar ainda, no quadro da evolução, a visão tradicional de Adão e Eva e do pecado original? Como é concebível que dois seres apenas semiconscientes tenham cometido um pecado que estaria na origem de todo o mal do mundo? Como é possível continuar a transmitir a ideia perversa de que Deus descarregou sobre o seu Filho na cruz toda a sua cólera, reconciliando-se desse modo com a Humanidade? Este é o nervo da questão: acredita-se, sinceramente, por palavras e obras, que Deus é Amor?"


Texto de introito: Marques Pereira
Gravura de Abraão: A.N.I.
Webmaster: Paula Medeiros

13.9.07

DO OUTRO LADO DO ATLÂNTICO

Depois de alguns e previsiveis dias, aqui encontro-me a escrever novamente.
É evidente que não possuimos nem os equipamentos que tinhamos na Espanha, mas a vontade e o empenho em bem resolver, nos levam a superar os abstáculos.
Encontramos o nosso Brasil com os problemas de sempre e com muita gente lutando para sobreviver. Por outro lado também vimos a mesma alegria e capacidade única no mundo de superação.
Eu e a Paula Medeiros, retornamos ao convívio desta ponde do interior nordestino e aos poucos vamos compartilhando nossa experiência de vida com todos aqueles nos rodeiam.
O impressionante é que alguma coisa na área social foi modificada. O governo do "Lula da Silva" e suas bolsas sociais podem até ter diminuido a fome e a miséria dos menos favorecidos. Entretanto têm proporcionado um aumento da vagabumdagem que toda esmola propicia.
Opiniões a parte, voltamos com orgulho ao nosso país, pois mesmo com todos os defeitos do mundo, é o que temos. Sendo assim, cabe a nós fazer ou tentar as mudanças que se necessita.
O importante é ter a esperança que um dia há de melhorar.
Os grandes impérios caem, e as coisas mudam.

Texto: Paulo Medeiros
Webmaster: Paula Medeiros

21.7.07

AMIGOS PARA SEMPRE


Na região de Portugal onde nasci chamam, hipocritamente, “amigo” a toda a gente, mesmo não conhecendo ninguém. É um tratamento falso que eu nunca aceitei nem considerei, porque um amigo é algo mais do que uma palavra, mesmo que esta seja uma forma pacífica de aproximação verbal.

Esta amizade que surgiu entre o Paulo Medeiros e mim nasceu através da sua leitura de artigos de opinião que publiquei num jornal que lhe chegou às mãos por um português que vive há meio século no Brasil. Quem diria que alguém, a cinco mil quilómetros de distância, iria ler o que eu escrevia…

O nosso primeiro encontro luso-brasileiro, cordial e como “irmãos” da mesma Língua, foi na serra da Arrábida, um rochedo continental de flora mediterrânica com paisagens deslumbrantes que surgiu do oceano Atlântico que separa Portugal do Brasil.

Daí para a frente continuamos a contactarmo-nos ora pelo telefone, ora pessoalmente, em minha casa, por restaurantes, num dos seus locais de trabalho, na residência de um seu irmão médico-dentista, que é a profissão de Paulo Medeiros e da sua linda esposa.

Paulo Medeiros é um homem de paz e de trabalho, comunicativo, bem-educado, bom marido e pai, gentil e alegre, com raízes consanguíneas portuguesas. Com todas estas qualidades e mais algumas, aceitei-o como amigo de verdade e decidi sê-lo para sempre.

Vou ficar triste com a sua partida da península Ibérica onde nasci e resido, embora sabendo que ele um dia irá voltar com saudades dos amigos que por cá deixou e nunca o esquecerão de portas abertas para o receber. Eu já estou convidado para ir visitá-lo ao Brasil.

Ele regressa ao seu Nordeste e eu fico com uma certeza: o Brasil vai ficar menos pior, melhor, com a sua presença e trabalho que vai continuar junto das populações da sua necessitada região.

E a sua família regressa a casa e voltará a viver a felicidade que merece, embora com saudades da Europa no coração…

Texto: MARQUES PEREIRA
Foto: Roberto Medeiros
Webmaster: Paula Medeiros

14.7.07

EDITORIAL




Depois destes alguns anos de Europa, é chegado o momento do retorno. Muitas coisas aconteceram, mas a mais importante foi conhecer a realidade atual entre os continentes e principalmente sentir o que pensam e o que acham e principalmente a visão que têm do mundo sul-americano.

Como passei a maior parte do tempo em terras de Espanha, percebi que a simpatia um pouco melhor para com os brasileiros, se deve mesmo aos ritmos musicais do Carlinhos Brown e ao futebol do que mesmo pelo conhecimento sobre o nosso povo.

Em Portugal, passa um fenômeno diferente, os antes simpáticos brasileiros, são hoje mais conhecidos pelas prostitutas e gente desqualificada imigrante do que qualquer outra coisa. O antes respeitado Brasil, não passa hoje de um mero país do terceiro mundo, que alem do exposto acima envia marginais e bandidos. Foi-se o tempo da chegada dos profissionais qualificados, como os dentistas que para lá foram na década de 80.

Se terei saudades, claro que sim! Afinal tive uma oportunidade, pertencente a poucos, que me deu experiência de vida incomparável e ao mesmo tempo me fez descobrir ainda mais que temos uma nação que em muita coisa não fica em nada a dever a lugar algum. Que somos um gigante, de muitas potencialidades e principalmente ver o que a falta de informação proporciona. Dá-me vergonha ver jovens de meu país passar humilhações, por buscar empregos que encontraria no Brasil. Um país com tantas potencialidades não necessita que seu jovens saiam.

Por outro lado, vi também que é possível ter uma sociedade multicultural, é o que a comunidade européia esta demonstrando apesar das sua facetas ainda por estudar.
Também há muita hipocrisia por parte dos europeus quando das soluções para a pobreza no mundo, e que a soluções não são apenas enviando migalhas ou levantando muros. Há necessidade de algo muito mais concreto, que se chama determinação nas soluções.

Explanações a parte, devo me ausentar em escrever no Blog por uns 30 dias, devido ao tempo que necessito para por em ordem a vida privada. Neste meio tempo, o Marques Pereira com certeza seguirá com o nosso “Lusitânia perdida” e manterá o nosso leitor sempre com novidades.

De momento meus agradecimentos a minha filha e hoje nossa Webmaster Paula Medeiros e a exemplar parceria e sem fronteiras de meu amigo MP.

Sigo para o outro lado do Atlântico, feliz pelo dever cumprido e principalmente orgulhoso pelo espaço conquistado.

Um até breve!




Texto : Paulo Medeiros

7.7.07

LULA EM PORTUGAL LANÇANDO A PONTE DO BRASIL PARA A UNIÃO EUROPEIA COM A GLOBALIZAÇÃO, OS PRODUTOS E OS IMIGRANTES BRASILEIROS


O presidente Lula da Silva veio a Portugal e à União Europeia tentar lançar uma nova ponte de comércio e imigração do Brasil.

E sendo um político com um discurso fluído e calmo, ele deu uma lição em Lisboa de economia política e recebeu o doutoramento em globalização na cidade de Bruxelas, capital da Bélgica e da U.E.

Em Portugal, a realidade da imigração brasileira de momento resume-se a estes números compilados pela LUSA, agência noticiosa portuguesa.

“A imigração brasileira em Portugal cresceu quase nove vezes entre 1986 e 2003, sendo constituída por pessoas cada vez mais jovens e com menos qualificações, de acordo com um estudo divulgado recentemente.

O estudo "Imigração Brasileira em Portugal" foi apresentado pelo Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI) na véspera da Cimeira entre a União Europeia (UE) e o Brasil, que se realizou no quadro da presidência portuguesa da UE.

Segundo o estudo, que visa aprofundar o conhecimento sobre a maior comunidade de imigrantes em Portugal e ao qual a Lusa teve acesso, entre 1986 e 2003, o número de imigrantes brasileiros regulares cresceu quase nove vezes, passando de 7.470 para 64.295.

Com cerca de 67 mil brasileiros a viver em situação regular no país, em 2004, esta comunidade imigrante é o maior grupo de estrangeiros em Portugal, ultrapassando os imigrantes oriundos da Europa do Leste e dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), adianta o documento.

O aumento mais significativo desta população em Portugal registou-se, de acordo com o estudo, durante o período de expansão ocorrido entre finais dos anos 90 e 2000/2001.

O documento salienta o facto de os perfis dos imigrantes brasileiros que chegaram neste último período serem diferentes dos que chegaram na segunda metade dos anos 80 e 90, verificando-se uma tendência de maior inserção em segmentos de mercado de trabalho menos qualificado.

“Nos fluxos mais recentes houve um aumento dos jovens de média e baixa qualificação dispostos a se dedicarem a serviços mal remunerados e desvinculados da sua preparação profissional", lê-se no estudo.

Embora se continue a verificar procura em domínios técnicos recentemente desenvolvidos, como é o caso dos profissionais da área de marketing, propaganda e informática, a expansão de actividades comerciais modernas (turismo, hotelaria, industria da construção civil), tem demandado um grande número de trabalhadores não-qualificados.

Enquanto em 1991 dados do Instituto Nacional de Estatística referiam que os imigrantes brasileiros que viviam legalmente no país trabalhavam na sua maioria em profissões liberais (28,4 por cento) ou tinham empregos de média qualificação (16 por cento), já em 1999 dados da Inspecção-Geral do Trabalho relatavam que a maioria trabalhava em sectores de trabalho menos qualificados.

Segundo esses dados, 29 por cento dos imigrantes brasileiros trabalhavam na construção civil, 25 por cento em restaurantes e hotéis e 27 por cento em actividades de serviços não-qualificados, incluindo emprego doméstico e limpeza em geral.

Estes dados demonstram, segundo o estudo, uma "degradação das condições de inserção de imigrantes brasileiros no mercado de trabalho português", evidenciando importantes mudanças no seu perfil, nomeadamente o facto destes serem mais pobres, terem menor grau de instrução, menor qualificação profissional e, consequentemente, menores oportunidades de conseguir uma ascensão social.

De acordo com o estudo, estes trabalhadores são, na sua maioria, oriundos de áreas semi-rurais e pequenas localidades urbanas no Brasil, especialmente nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Baía, Paraná, Espírito Santo, Goiás e Pernambuco.

Outro factor que aponta para a mudança dos perfis dos imigrantes brasileiros da segunda vaga, relativamente aos que chegaram na segunda metade dos anos 80 e 90, é a sua distribuição regional.

O estudo conclui que a comunidade imigrante brasileira se estabeleceu, a partir dos anos 90, sobretudo na Região de Lisboa, em detrimento do Norte Litoral, explicando que este fenómeno tem a ver com o facto da imigração se ter tornado mais laboral, especialmente na vaga pós-1999.

Quanto às áreas de residência e de trabalho dos imigrantes brasileiros, destacam-se, segundo o documento, a Área Metropolitana de Lisboa (41,2 por cento) e a Região do Porto com 13,6 por cento, seguindo-se Aveiro (nove por cento) e Braga (cinco por cento).

O documento aponta ainda como principais factores de promoção da inserção dos imigrantes brasileiros em Portugal, o processo especial de regularização chamado "Acordo Lula" assinado em Julho de 2003, que permitiu já a legalização de cerca de 20 mil brasileiros, e o facto de falarem português”.

O nosso comentário final: neste estudo não foi abordada a “imigração do prazer” que trouxe e espalhou por Portugal uma minoria de uns milhares de prostitutas, travestis, lésbicas e gays ilegais que chocaram o sector católico da sociedade portuguesa, tal foi para a Igreja a mudança sentida nos “libertinos costumes da noite”. Também não foi referido que os brasileiros são a maioria da população estrangeira nas prisões portuguesas devido a crimes de vigarices, gatunagem, traficância de droga, assassinatos e outros delitos.

Eu continuo a gostar dos brasileiros e do Brasil, pois uns milhares de incivilizados e criminosos sul-americanos não podem representar o rosto de uma respeitável e grande nação com 190 milhões de humanos que nasceram de Portugal e, na maioria, descendem dos Portugueses.

Texto: MARQUES PEREIRA

Foto: A.N.I.

Webmaster: Paula Medeiros

30.6.07

30 anos da morte do rei




Normalmente, aqui no lusitânia perdida damos ênfase aos assuntos ligados a comunidade lusófona. Mas há casos que estão acima desta realidade, pois há situações em que o assunto está acima dos contextos.

A musica faz parte de todo ser humano, e nos marca época. . Seja de que forma for a musica além de salutar é essência para nosso dia-a-dia. Na musica popular contemporânea, temos os chamados “monstros sagrados” e na verdade o maior de todos, o rei do rock, foi e sempre será Elvis Presley. Hoje em dia e para quem tem mais de 40 anos, jamais nos esquecemos do ídolo maior de toda uma geração. Fez sucesso numa época em que não havia CDs, nem toda a tecnologia que hoje dispomos.

Dotado de uma voz incomparável, e capacidade artística acima da média, fez mudar hábitos e modificou conceitos. Verdadeiramente revolucionou uma época.

Aproximamos agora de 16 de agosto, quando completará exatamente 30 anos do falecimento do cantor.

Lembro-me que naquele dia a noticia nos pegou surpresa e de muita tristeza. Durante todo o dia, as rádios não pararam de tocar suas canções. Isto foi em 1977. No Brasil e no mundo, a perplexidade foi total.

Mais que um mito, Elvis também era humano, e naqueles 1977, já se percebia sua completa ausência de saúde, alem de no palco esquecer letras das musicas que sempre havia cantado. A solidão, excesso de medicamentos e principalmente o excesso de peso, fizeram que o coração parasse.

Foi interrompido um legado, que em vida conseguiu vender mais de 600 milhões de discos. Marca jamais batida por ninguém, isto sem acrescentarmos os vendidos pós-morte.

Para as novas gerações, uma garantia que ele foi realmente o maior, basta verificar abaixo uma de suas performances:






Lennon disse uma vez: Queria ter escrito o livro " Alice no país das maravilhas e pelo menos ter sido igual a Elvis presley.

Texto:Paulo Medeiros
Foto: Cortesia

23.6.07

CARTA A UMA VIRGEM CASADA COM JESUS CRISTO




Nas religiões tudo é possível acontecer, imaginar e mentir, até celebrar abençoados casamentos, com um morto, de mulheres que se inibem de viver uma vida natural, terrena e em sociedade com a Humanidade que não se inventa nem alimenta de ilusões divinas, celestiais ou paradisíacas.

Qualquer freira tem direito a casar-se com Jesus de Nazaré, sendo ou não virgem. Casar com mortos não é permitido pela Lei de nenhum país, mas na Igreja Católica tal é permitido para que as suas mulheres refugiadas das realidades da vida em conventos e irmandades não se sintam sós e sem um homem para partilhar o corpo, ter filhos, pensar, conversar e fazer amor em secretismo com a sua solidão e cobardia humana.

Esta carta de que vou reproduzir algumas passagens foi escrita por Lucília Serra e veio publicada no tri-mensário “Fraternizar” de Junho, editado por um padre e publicado no norte de Portugal. E porque o faço? Talvez por ser um documento que mostra as distâncias que separam a mulher-Mulher a quem a Igreja viva dá o sacramento do matrimónio e a mulher-Religião que recorre a um casamento imaginário, adúltero e funerário com o Homem com mais de 2000 anos que vem sendo transformado em Deus pelo Catolicismo Romano.

Escreveu a autora: “Era uma moça nova e entrou a falar com tal ardor da sua vocação, do ideal abraçado, da sua entrega ao Senhor, que pela boca dela fiquei a saber que era uma das tais casadas com Nosso Senhor Jesus Cristo”.

Lucília Serra, defendendo a sua honra de leiga, disse à jovem “esposa” de Jesus:

“Olha, menina, casada sou eu. Recebi o grande sacramento do matrimónio. Quer queiras, quer não, tens um sacramento a menos do que eu! Mas ficando na tua de que és casada com Jesus Cristo, só te digo que arranjaste um partidão. Fizeste um casamento de seda. Arranjaste um marido que, já sabias, não é rabujento, não te mói de pancada nem te dá peúgas para lavar; não gasta o ordenado todo na jogatina ou nas “boites”; não te invade a casa bêbedo; não te põe um par de chavelhos e não foge com outra, deixando a criar meia dúzia de filhos. Não andas de vestido coçado nem de sapatos cambados e chegas ao final do mês sem as preocupações inerentes a uma pobre leiga que tem de pagar a renda da casa, água, luz, alimentação, medicamentos, roupa, calçado, livros, transportes. Não corres o risco de dar-à-luz filhos deficientes, nem te consomes de dor porque são marginais, drogados, ladrões. Nós, as mães a que a Igreja chama “leigas” é que estamos sujeitas a isto”.

“Há tempo falei com uma freira que estivera nas antigas colónias e agora vive roída de saudades porque ”deixou” lá 60 filhos. Sessenta! Eu, leiga pecadora, casada pela Igreja, só tenho três. Mas ela não era mãe de verdade. Ser mãe a sério é coisa diferente”.

“Parece que vives só para guardar a tua virgindade. Mas como é isso possível se casaste com Jesus Cristo, um homem morto que vós considerais vivo ao ponto de casarem com Ele? A virgindade não se reduz a um pormenor anatómico. A verdadeira virgindade está no coração. Não é virgem quem tem o coração atolado de invejas, intrigas e de calúnias e se esquece de amar, porque anda muito ocupada a guardar a sua virgindade.”

“Quando chegares ao Paraíso e o Senhor te perguntar ‘Quem és tu?´, responderás: Eu sou uma das tuas virgens. O Senhor replicará: Isso não interessa; mas se amaste, se fecundaste algo de jeito, se cometeste feitos que me agradem e te deste aos outros és virgem”.

Ser virgem e não amar redobradamente, para que Diabo serve? –assim terminou esta carta de uma cristã-católica que não é virgem, graças a Deus que a mandou não fugir às realidades da vida, viver e “sacrificar” a sua virgindade à continuação da Humanidade.

Marques Pereira

Texto: Marques Pereira

Webmaster: Paula Medeiros

16.6.07

A IRREVERÊNCIA



Recentemente no Brasil ocorreu um daqueles fenômenos, sem razão explicável e que só é possível na internet. Detalhes a parte, mas não se pode deixar de mencionar o “estouro” de tamanho sucesso. Sociólogos e pedagogos tentam de todas as formas estudarem tais fenômenos. Na verdade e na pratica sei que em milhares de lares do Brasil esta música horrenda para os mais tradicionais, causou furor.

Particularmente, acho que a explosão se deve a capacidade típica do brasileiro em fazer gozação com todos os seus problemas.

O vídeo é interpretado pela atriz Cristina Nicolotti de 49 anos. . Seu clipe é uma única tomada de si mesma cantando um hino "gospel" de um verso só. Ela é acompanhada por um coral e até por um dublê de Bob Dylan.

"A repercussão mostra que está todo mundo de saco cheio", diz. Seu filho, Luca Nicolotti, 15, adora a música. "O problema é com os pais dos amigos dele." O marido e autor da faixa, Caca Bloise, 57, compôs a melodia para um vizinho. "Acho que ele ainda não sabe que fizemos para ele", especula Cris.
No dia 26 de junho ela estréia "Se Piorar Estraga", no teatro Frei Caneca. A canção que virou febre é um "spoiler" deste espetáculo, que se encerra ao som do hino da "culosofia".

Conhecendo um pouco mais:

Cristina Nicolotti já trabalhou no SBT, Band e TV Shop Tour
Cris não é uma desconhecida, repare. Nos anos 80 a humorista atuou na Band e no SBT; na década de 90, fez televendas na TV Shop Tour. "Comecei fazendo teatro infantil com 17 anos, na sessão de brinquedos do Mappin. Um currículo brilhante, não?"
Para este papel, a atriz, que é católica, diz ter se inspirado na bispa Sônia. O humorístico narra a história de Roberléia, a vendedora que segue o "cusistencialismo", uma "corrente filosófica de libertação". "Não tem a menor lógica, é humor nonsense e pronto."

Ainda sobre dados do vídeo, ele esta na rede há alguns dias e já ultrapassou mais de um milhão de acessos isto sem falar nas outras versões remix e outras parodias .


Tive a oportunidade de assistir suas entrevistas em programas de audiência no Brasil, como em “Jô Onze e meia” e lhes garanto que achei interessantíssimo. Não se pode negar que atrás da irreverência há um dote artístico incomum...

Assim segue o Brasil!

Obs: Esta música bem que poderia ser dedicada a certos políticos do Brasil e de Portugal.

Texto: Paulo Medeiros

Webmaster: Paula Medeiros

2.6.07

Rodrigo Santoro – um brasileiro no mundo do cinema internacional

Estou aqui mais uma vez no blog Lusitânia Perdida para falar de algo que me interessa bastante, o mundo do entretenimento. Especialmente hoje vou me centrar na carreira do ator brasileiro Rodrigo Santoro, de como ele começou como estudante de jornalismo e acabou sendo um dos atores mais conhecidos do Brasil em todo o mundo.

Rodrigo Junqueira dos Reis nasceu no dia 22 de agosto de 1975, em Petrópolis, RJ. Na sua adolescencia costumava ser excluído das festas pelos amigos e, além disso, tinha uma mania estranha quando o assunto era figurino, que era quase sempre de vanguarda. Os amigos achavam que ele era muito metidinho, pois vivia de rabo-de-cavalo preso por um pedaço de meia calça. Só no 2° grau isso mudou, quando passou a ficar mais enturmado.

O interesse pelo palco começou desde a infância, quando fazia teatro de fantoches para a família no Natal e na Páscoa. Aos 15 anos, decidiu atuar em peças pequenas do colégio. Porém, ainda não tinha em mente a carreira. Tanto que se mudou para o Rio, aos 18 anos, a fim de fazer vestibular para medicina. Ele até foi aprovado na PUC, mas, preferiu optar por comunicação e, assim, fez outro vestibular. No final disso tudo, resolveu atuar mesmo e continuar cursando a faculdade. Entrou para a Oficina de Atores da Globo e, em 1994, já estreava na Rede Globo, na novela "Olho no Olho", onde fez uma pequena participação. A partir daí, vieram outras novelas, como Pátria Minha, Explode Coração e Suave Veneno. Em "O Amor Está No Ar", fez pela primeira vez um protagonista e isso lhe obrigou a largar a faculdade.

No cinema nacional, teve sua estréia em 1996, no curta-metragem "Depois do Escuro", de Dirceu Lustosa. No filme, fazia três personagens diferentes. Mas, foi em "Bicho-de-sete-cabeças" que teve seu verdadeiro destaque. Depois deste, foi cada vez mais se consagrando como ator, em "Abril Despedaçado" e "Carandiru", onde choca a todos pelo papel de travesti escolhido.

Sua estreia no cinema internacional foi no filme "As Panteras: Detonando", aonde teve uma breve participação como vilão. Posteriormente, fez um personagem coadjuvante no filme "Simplesmente Amor", com Hugh Grant. Ficou mais conhecido ainda com um pequeno papel na consagrada série “Lost” e por seu último filme sucesso de bilheteria nos EUA, “300”, onde atua como o vilão Xerxes ao lado de Gerard Butler.

Para que os nossos leitores tenham uma oportunidade de conhecer o talento deste jovem brasileiro.



Texto e pesquisa: Paula Medeiros

Foto: - Rodrigo Santoro em sessão fotográfica realizada em RJ (Brasil).

- Foto promocional do filme “300”.

Webmaster: Paula Medeiros

26.5.07

NÃO É PORNOGRAFIA É POLÍTICA NUA E CRUA





Há pessoas que talvez ainda não tenham reparado que vivemos no Ano 2007 do III Milénio, a que alguém chamou o “Século do Sexo”. Erradamente, pois desde os primórdios da raça humana que os dias, os anos e os séculos têm sido de sexo, pois se não fossem a Humanidade não existiria como somos e a vemos a evoluir.

Mas a Humanidade está a evoluir para onde?

Para a nudez e as loucuras do fim que a poluição está a causar?

Para o tempo da mulher-macaca e do homem-macaco?

Este comentário reflectivo vem a propósito da atitude tomada pela mulher que a fotografia mostra, Tania Derveaux, que oferece 40 mil “blowjobs”, à média de 80 por dia, a quem votar nela para o Senado da Bélgica.

Ao que a Política e a ânsia de poder chegou!

Todos sabemos que na Política vale tudo, não há moral e nem sempre existem boas maneiras para chegar aos objectivos em vista, mas esta de prometer felatios, boquetes, “blowjobs”, sexo orogenital, sexo oral ou outros nomes populares e pornográficos que me dispenso de referir, é inédito numa candidatura a um mandato político.

Tania Derveaux vai ganhar o seu lugar como o conseguiu, em Itália, a estrela da pornografia Cicciolina, porque o sexo faz mover, alegrar e pacificar a vida, quer os moralistas, conservadores e religiosos “torçam ou não o nariz”. E terá mais votos do que aqueles que a sua promessa está a recolher, pois o felatio e o cunilingus tanto são do gosto da maioria dos homens como das mulheres.

Voltando-nos para nós, portugueses e brasileiros, votaríamos numa “tânia” nossa se ela nos prometesse este “prémio” por um voto?

Calculo que esta “tâniazinha” teria mais de seis milhões de votos dos portugueses de entre os nove mil inscritos nos cadernos eleitorais e no Brasil não me admiraria se uma previsão atingisse os 140 milhões.

O sexo em todas as suas dimensões e modalidades é “fatal”, tanto na Política como na vida dos não-políticos e outros seres humanos, pelo que é preciso aproveitá-lo bem enquanto existe a atracção física homem-mulher, homem-homem, mulher-mulher, pois ao que revelam as estatísticas deste mundo a sexualidade está a decrescer tendo por causas a alimentação plástica e a poluição atmosférica.

Texto: Marques Pereira.

Foto: Internet

18.5.07

ANTÔNIO DE OLIVEIRA SALAZAR



Como todo espaço democrático deve ser, abro aqui no Lusitânia Perdida para este português que odiado por muitos e adorado por alguns, ainda se faz presente nos dias atuais.

Muitos leitores no Brasil me indagaram porque quase não se fala dele. Sei que para os participantes e colaboradores portugueses de nosso blog o seu nome é sinônimo de atraso e de um tempo de um Portugal principalmente sem liberdade.

Mas, venho através da necessidade jornalística e com o compromisso de estudar a historia tentar entender os fatos de antes do 25 de Abril

Com outros lusitanos que conversei, ele aparece como um nacionalista, que manteve ou tentou manter um império com força e amor a sua terra e com a principal característica de morrer no poder e assim mesmo pobre.

Antonio de Oliveira Salazar, nasceu em Vimieiro (Santa Comba Dão) em 1889 e faleceu em Lisboa em 27/07 1970. Foi ministro das finanças, foi fundador da União Nacional e também do Estado Novo ( 1933-1974).

Nacionalista ao extremo, teve de conviver com a grande maioria dos problemas do século XX, tais como: segunda guerra, e principalmente as guerras coloniais.

Embora tenha levado o país a um equilíbrio em determinado tempo, foi considerado um ditador algoz.

Com o fim da segunda guerra, e com as dificuldades econômicas, a comunidade internacional defendia o fim da colonização e Salazar praticou uma política isolacionista

Sob o lema “ orgulhosamente sós”. Esta era uma de suas características, ser auto-suficiente.

Para entender, basta ver algumas frases suas que o caracterizaram:

“A guerra foi por toda parte feita com liberdade possível e autoridade necessária.“

“Para cada braço uma enxada, para cada família seu lar, para cada boca seu pão.”

“Instrução aos mais capazes, lugar aos mais competentes, trabalho a todos eis o essencial.”

“Quem não é patriota, não pode ser português.”

Assim, ele teve o seu tempo, e o seu momento. O que traz curiosidade, é que nos tempos atuais, cada vez mais aparecem mais simpatizantes e jovens que não sabem nem exatamente explicar a causa. Basta dar uma olhada nas comunidades do Orkut na internet na maioria das vezes ligados a comandos de extrema direita.

Muitos deles afirmam que se fosse com ele Portugal não estaria hoje com a delinqüência, nem com tantos estrangeiros. E aí não sei o que seria dos meu compatriotas que hoje vivem no país, mas também, talvez não fosse o país mero balneário europeu.

Prefiro ver o caso através da ótica da neutralidade, e assim de sã consciência realizo apenas a pesquisa histórica.

Se há espaço para suas idéias nos dias atuais, cabe a sociedade portuguesa decidir, mas tenho de admitir que o homem fez parte da historia e teve a vida consagrada a nação . Como dizem, cometeu erros, é claro, pois era humano. Mas os princípios pelo qual lutou imagino que pensou serem justos.






Texto e pesquisa : Paulo Medeiros
Foto: Cortesia
Webmaster: Paula Medeiros

12.5.07

FÁTIMA: 90 ANOS DE RELIGIÃO E NEGÓCIO RELIGIOSO





A 13 de Maio de 1917, num local chamado Cova da Iria, três crianças atiradas para um monte a pastar todo o dia ovelhas e cabras, com as cabeças religiosamente “lavadas” e “drogadas” pelo pároco da sua aldeia de Aljustrel (Ourém), analfabetas e famintas, longe da civilização e de tudo, vivendo como “anjinhos do Senhor” como era costume e obrigação daquele tempo, inventaram uma visão religiosa e disseram que estiveram a falar com uma Senhora vestida de branco e brilhante, que lhe veio do Céu…

Esta “aparição” repetiu-se mais duas vezes, segundo as estórias que os clérigos contaram, depois de chamarem mentirosas às crianças (Lúcia, Francisco e Jacinta), tendo uma sido presa pela administrador do concelho de Ourém, duas foram deixadas morrer (Jacinta e Francisco) e a outra (Lúcia), após a Igreja Católica e o Estado Novo opressivo terem concluído graças a Deus que a “coisa” servia para calar o povinho que passava fome e vivia revoltado, foi encarcerada num convento em Tuy (Galiza-Espanha) até passar para Coimbra onde morrera como uma “santa” sem nunca ter saído para o meio da multidão e sem ter feito alguma coisa de serviço cristão ao povo.

A traços largos é esta a estória que levou à criação do santuário de Fátima, que graças ao dinheiro, ouro e jóias que recebe das adoradoras da inventada Nª Sª de Fátima, a quem no princípio foi chamada de Nª Sª do Rosário, vai em 10 de Outubro ter mais uma basílica cuja construção custou 53 milhões de euros, dinheiro do povo com fé na Virgem.

As religiões são feitas assim: com imaginações, ilusões, fantasias, aproveitamento de fenómenos atmosféricos, inverdades e com a ingenuidade e medo do povinho sem cultura religiosa que acredita em tudo o que “eles” dizem sem os questionarem.

Quantos católicos e católicas saberão, por exemplo, que esta Nossa Senhora de Fátima, como a conhecem, foi feita por um minhoto na Casa de Fânzeres, em Braga? E de uma coisa temos a certeza: não foi feita à imagem de Maria, mãe de Jesus, porque ela era euro-asiática, ou euro-africana, morena, e no seu tempo as roupas eram rústicas, escuras e pesadas.

Mas, como me dizia uma amiga, “eu tenho fé Nela e pronto”. Todavia, a minha amiga e certamente milhões de praticantes desta adoração mariana não tem a mesma fé no Ser Humano, nas pessoas das suas relações, amigos, familiares, vizinhos e nos médicos que lhes curam as doenças e elas vão agradecer a Deus ou aos “santos” de barro e pau. Porquê? Nesta gente que anda de joelhos e de rastos, a orar pelas igrejas e santuários, aos milhões, são raras as pessoas que acreditam no seu semelhante e fazem serviço de Amor ao próximo como o filho de Maria de Nazaré, Jesus, gostaria.

A mim revolta-me, como aconteceu a Jesus Cristo, ver a Religião a fazer dos seus “espaços sagrados” um grande centro comercial, um “shopping”, como acontece em Fátima, Lourdes, Aparecida e no santuário da virgem polaca negra Chestokova.

E não gostei de o Papa Ratzinger ir ver a Aparecida do Brasil e não vir comemorar os 90 anos da invenção de Fátima em Portugal. Ele podia fazer uma coisa a seguir à outra, mas preferiu apanhar um banho de um milhão de brasileiros. O outro “banho” foi-lhe dado pelo presidente Lula da Silva que não aceitou a proposta papal de assinar uma concordata e ainda lhe ensinou que o Estado e a Igreja não se devem “casar”, certamente a pensar na ditadura do Islamismo nos países árabes e muçulmanos, o que não se coaduna com a tradição política dos “nossos irmãos”.

É tudo o que sinto para escrever 90 anos depois sobre esta estória da Cova da Iria mal contada por “eles” e engolida pela fé dos portugueses e pelos turistas estrangeiros da religião que gostariam, como eu, de ver o mundo com mais uma Deusa com o nome português de Maria, fosse ela tão bonita e bela como a imagem de Fátima, ou feia como uma campónia que nunca conhecemos nascida numa aldeia remota e pobre do Médio Oriente…

Texto de MARQUES PEREIRA

Foto: A.N.I.

Webmaster: Paula Medeiros

5.5.07

GRANADA E “LA ALHAMBRA”



Ultimamente, muito se fala na escolha das sete maravilhas do mundo. Coincidência ou não, aproveito este momento para por duas maneiras prestar minha homenagem a esta encantadora cidade espanhola que absorveu a mim e minha família durante este tempo em Espanha.

A primeira maneira é para afirmar que irei sufragar um dos meus votos a este castelo na escolha de uma destas maravilhas. Na verdade, é fazer justiça a este monumento mundial.

“La Alhambra” significa muralha vermelha. O castelo foi construído entre 1248 e 1364 no reinado árabe de Ibn – al – Ahmar. O palácio sofreu modificações depois da conquista cristã da cidade (1492) e também pelo imperador Carlos V (1516-1556). Em 1812 por ordem de Napoleão Bonaparte algumas partes foram destruídas, bem como um sismo em 1821 ocasionou estragos.

Nada porém fez o mesmo perder a sua importância. Em 1828 foi iniciado o restauro pelo arquiteto José Contreras e que permanece quase igual ao que é hoje.

Assim além de ser a marca principal desta cidade e tendo enfrentado tantos desafios faz mais do que jus a ser maravilha mundial.

Seguindo neste espírito, tomo a liberdade de abrir espaço em nossa Lusitânia de pela primeira vez escrever algo que não é na língua de Camões, mas que no contexto é minha outra maneira de prestar minha homenagem pessoal a quem nos promoveu tantas oportunidades. Para falar do tempo, transcrevo um pequeno poema em espanhol feito por minha filha:

¿Qué se lleva el tiempo?

El tiempo se lleva la infancia

Se lleva,

todos aquellos momentos de descubrir algo nuevo

de experimentar algo por primera vez.


Se lleva consigo,

memorias de una infancia llena de alegrías, esperanzas y sueños.

Apenas dejando al final,

soledad y sosiego eternamente.

(Paula Medeiros)




Texto: Paulo Medeiros

Foto: Paulo Medeiros

Webmaster: Paula Medeiros

28.4.07

MÉDICO BRASILEIRO “AGITOU” O 25 DE ABRIL






Na manhã da cerimónia comemorativa dos 33 anos da retoma da Liberdade e da Democracia pelos portugueses, após o golpe militar de 25 de Abril de 1974 que derrubou a ditadura de Salazar, na Assembleia da República, em Lisboa, na bancada do povo-povo obrigado a estar calado ouviu-se a voz forte de um médico-pediatra brasileiro que trabalhou como tal no Hospital São Marcos, de Braga, histórica cidade-capital do Catolicismo de Portugal, gritando e calando toda a classe política presente no hemiciclo democrático.

Ele apenas pediu Liberdade para trabalhar e direitos iguais para todos os trabalhadores imigrantes.


Eu, não sendo um trabalhador migrante, exijo o mesmo!

E no 1º de Maio de 2007, Dia dos Trabalhadores, gostaria que todos exigissem e gritassem por Liberdade para todos os milhares de trabalhadores brasileiros que vieram para Portugal para trabalhar!

A Liberdade sem liberdade é uma hipócrita Ditadura maquilhada e mascarada de mulher livre e bonita…



Texto: Marques Pereira
Foto: A.N.I.
Webmaster: Paula Medeiros

21.4.07

AMERICA LATINA (Considerações pessoais)



Estes anos de Europa me proporcionou muitas coisas, e dentre elas destaco uma ampla modificação no aspecto de ver o mundo e muitas outras coisas.

Esta minha primeira afirmação baseia-se principalmente em minha oportunidade pessoal de poder conviver não somente com outra cultura, mas principalmente compartilhar idéias com outros de outras nacionalidades. E em meio a este mundo tão globalizado, vivendo em terras de Espanha, passei a conviver com outros sul-americanos hispano descendentes.

Tenho companheiros argentinos, venezuelanos, colombianos, etc. Muitos dos laços que os une a Espanha, são muito parecidos como os que nos une a Portugal. Mas a realidade política atual modificou, e muito, todos estes laços. Para isto há inúmeras causas tais como a imigração oriunda destes países, bem como esta união européia.

Continuando, e ainda falando das relações entre Espanha e os demais países da fala hispânica, muito também tem mudado, para se ter uma idéia chegou-se neste momento a se exigir vistos de entrada para entrar em Espanha. Isto é forte, e é como se de repente os brasileiros necessitassem de um visto para entrar em Portugal. O que até não seria má idéia depois de tantas injustiças e desencontros no aeroporto de Lisboa.

O que eu quero dizer com tantos comentários é simplesmente afirmar que essa balela de laços históricos e outras coisinhas na prática não servem de nada. Os europeus construíram o seu bloco e o que vem de fora pouco está interessando.

Os brasileiros historicamente mal olhavam aos seus vizinhos. Durante séculos era como se não existissem. Do lado de lá tudo também era muito parecido. Felizmente em estes dias mais atuais a mentalidade democrática e novos governos estão abrindo caminhos para que tenhamos vida e projetos comuns. Descobriu-se de ambos os lados que temos a necessidade de fazer a nossa parte pois assim teremos uma oportunidade história de mostrar ao mundo que não somente existimos, mas que também somos fortes tanto na política como economicamente.

Para o leitor ter uma idéia, imagine uma união completa entre Brasil, Argentina e Venezuela. Já dá o que pensar...

Primeiramente, temos que resolver o dever de casa. Diminuir nossas desigualdades, promover nosso crescimento econômico principalmente livre do capital internacional.

Tudo que falo não é um sonho, é acreditar que temos capacidade e potencial. É triste ver uma terra que no passado recebeu tanta gente e a quem deu tantas oportunidades hoje ter que ver seu jovens emigrarem para Europa ou Estados Unidos para trabalharem em subempregos e serem explorados por aqueles que nem sequer reconhecem a sua existência.

Realmente, não necessitamos passar por isto! Temos que integrar para não entregar...


Texto: Paulo Medeiros
Webmaster: Paula Medeiros
Foto: http://www.marxist.com/bolivia-peoples-assembly090605.htm

13.4.07

FLORESTA DE LIBERDADE



Poucos gostam da minha floresta de eucaliptos

Bordejada de sobreiros, um castelo e olivais

Ela é como uma visão de flautas e mitos

Onde as aves cantam por entre os canaviais


São eucaliptos de copas erguendo-se aos céus

Grandes e esguios como as meninas das modas

A desfilar vivas e firmes pelos olhares dos deuses

Que de tão baloiçantes e nuas eles querem todas


Nada cresce no chão atapetado dos eucaliptais

Mas nascem rebentos e há sempre mais

Destas árvores que bebem água e dão papel


E numa clareira há colmeias que dão mel...

Na minha floresta verde de grandes eucaliptos

Entra o Sol, o Amor e a Liberdade sem dor nem gritos!



Texto: Marques Pereira

Foto: Marques Pereira

Webmaster: Paula Medeiros


7.4.07

BRASILEIROS EM PORTUGAL


Durante séculos os Portugueses imigraram para o Brasil. Foram vários milhares numa regular continuidade. Foram como colonos agrícolas, mineiros, empregados comerciais, trabalhadores da indústria e ainda como políticos activistas fugidos à injustiça dos ditadores.

Se olharmos a reciprocidade deste fenómeno verificaremos que a presença de brasileiros em Portugal não teve uma expressão significativa. Apenas a partir da década de 80 do século passado se assistiu em Portugal ao crescimento regular de fluxo de imigrantes brasileiros para Portugal.

A emigração para Portugal apresenta uma evolução constante entre os anos de 1980 e 1987 tendo aumentado significativamente entre 1987 e 1995. A partir do ano de 1999 o número de imigrantes sem documentos aumentou.

As associações de brasileiros em Portugal estimam em cerca de 15 mil os imigrantes brasileiros em situação ilegal que residem no país. Estima-se que a comunidade brasileira em situação regular é de cerca de 60 mil pessoas. Serão, portanto umas 75 mil almas brasileiras a residirem em Portugal. Mais? menos? Não sei.

Segundo alguns estudiosos não se conhecem muito bem as motivações destas emigrações de brasileiros para Portugal.

Creio no entanto que o que motivou a vinda de milhares de brasileiros para Portugal foram essencialmente algumas destas hipóteses:

1 – A língua comum.

2 – Uma cultura muito próxima que séculos de história cimentaram.

3 – Alguns acordos bilaterais.

4 – Possibilidade de obtenção da nacionalidade portuguesa.

5 – Algum investimento, já significativo, económico de alguns empresários brasileiros em Portugal.

6 – A possibilidade de entrada numa Europa cujo mercado comum começa a solidificar-se. Será?

Os brasileiros estão concentrados nas grandes cidades das regiões de Lisboa, do Centro do país (Aveiro e Coimbra) e no Norte (Porto e Braga). No Algarve, pelo menos nos meses de Verão, a sua presença como trabalhadores sazonais é já uma constante também.

Não me parece que haja já algum estudo rigoroso que nos permita identificar o perfil sócio-económico da comunidade brasileira no nosso país. No entanto posso indicar, sem falhar muito, algumas características que me parecem caracterizar esta comunidade.

a) – Comunidade jovem e em busca de uma primeira oportunidade de trabalho.

b) – Emigrantes temporários.

c) – Gente com escolaridade acima quer das médias brasileira quer portuguesa tentando, se possível, dar o salto para a Europa comunitária.

d) – Diversidade social.

Entre esta diversidade social encontra-se de tudo. Estudantes universitários, quer de licenciatura quer de mestrado ou doutoramento.

Jovens que vem passar uns tempos de férias e ganharem algum dinheiro e contactos para posteriores vindas definitivas ou passagem para outras zonas euro.

Mulheres jovens e bonitas que muitas vezes para atingirem os seus objectivos começam por se prostituirem.

Na Visão de 1 de Março de 2007 é publicada uma reportagem exclusiva acerca do tráfico de mulheres, dentre as quais muitas chegam do Brasil. Segundo essa reportagem "as mulheres chegam a Lisboa ou ao Porto por via aérea directa, mas, como arriscam um controlo mais apertado , preferem desembarcar em Paris ou Madrid. Seguem depois por via terrestre rodoviária para o Norte de Portugal (sobretudo Braga)".

No nosso prédio tivemos um grande problema por causa de uma jovem brasileira que se instalou num dos apartamentos, alugado obviamente, e recebia homens a toda a hora do dia e da noite tendo levado a que o condomínio tonasse medidas drásticas. Era um forró dia e noite.

Também se tem verificado grande quantidade de brasileiros que se dedicam às mais estranhas formas de religiões.É um pulular de seitas religiosas. São os da IURD, os espiritas seguidores de Alan Kardec e mais uma data de outras seitas religiosas.

Com a sua voz meiga e seu sotaque melodioso lá vão consegindo captar para as suas fileiras muitos portugueses mal formados e semi-analfabetos.

Numa sociedade que saiu apenas há 33 anos de uma ditadura politico/religiosa, iletrada, com cada vez menos condições dignas de um país do pelotão da frente, religiões agressivas e hábeis vão-se instalando e procurando compensar com as suas promessas o que o Estado deveria garantir.

Prometem a salvação divina, o paraíso, o bem estar a quem já passa fome e sacrifícios vários. Há já quem por não poder pagar o gás para cozinhar tenha voltado a usar as máquinas a petróleo. Isto passa-se na capital, Lisboa e em lares até aqui da classe média.

Numa sociedade onde fecham escolas, centenas de escolas, urgências hospitalares, maternidades e fábricas é demasiado fácil penetrarem estas seitas religiosas. Um Povo sem justiça, dos homens, procura sedentemente por justiça divina. Num país onde a minoria consome a quase totalidade dos recursos monetários já de si exíguos, onde as reformas se verificam apenas para os mais desfavorecidos, mantendo apenas as regalias para pequenas elites, é muito fácil que certas seitas se instalem.

Tenho vários amigos brasileiros. Médicos, enfermeiros, historiadores e professores. São competentes, são simpáticos mas parece-me que em certos sectores são um pouco marginalizados.

Uma outra grande fatia de emigrantes brasileiros estão nas equipas de futebl. Quase todos os fins de semana, na hora de entrevistar os jogadores, no fim de cada jogo, é raríssimo que se não fale em brasileiro.

Não me aborrece absolutamente nada que haja emigrantes de todos os quadrantes incluindo do brasil. Nós, os Portugueses, por triste fado ou má governação, há séculos que temos que partir á procura de melhores condições de vida.

E isso é que chateia. Porque é que o Luxemburgo, por exemplo, pode pagar o ordenado mínimo a mais de 1500 euros por mês e nós, nação valente e imortal, que deu novos mundos ao mundo, apenas pagamos uma esmola.

Mesmo assim os brasileiros, por má governação desse enorme país que já foi nosso, ainda se sentem compensados monetariamente atravessando esse mar imenso em busca de dignidade e de uma vida que não tenha que passar pelas fabelas, essas vergonhas sociais.

Para que minúsculas elites continuem a manter para si as riquezas do mundo, milhões de seres humanos, entre eles brasileiros e portugueses, procuram diariamente dar o salto para lugares onde sociedadas melhor organizadas lhes permitam viver com dignidade , justiça e segurança.

Mas, pelo que me parece observar, a estabilidade tem os dias contados, pelo menos ao nível europeu.

A constituição europeia, que certa camada social quer impor aos demais, acabará por amordaçar e destruir um bem estar social que a europa conseguiu atingir.

São milhões os desempregados. Outros tantos os que tem precariedade no emprego e outros tantos ainda os que apenas esperam o desemprego a pobreza a miséria totais.

Creio que se está a criar uma nova sociedade de escravos, de gente sem emprego, sem direito a habitação, nem a escola, nem a saúde, nem a uma velhice condigna e uma morte sossegada.

Os milhões transitam entre as mãoes de meia duzia de capitalistas ficando as migalhas para uma massa humada descumunal que vive já miseravelmente.

Essa pequena percentagem de seres humanos detentores do poder e do dinheiro instalam-se onde o momento lhes der mais jeito. Fecham fábricas nuns locais, atiram para o desemprego e para o desespero milhares de seres humanos já em idades avançadas e vão-se instalar noutros locais onde lhes cheira a mão de obra barata que é o mesmo que dizer novos escravos.

O que pretendem é o lucro a qualquer custo.

E os Povos, quais baratas tontas, deambulam pelo planeta em busca de uma estabilidade que nunca mais chega nem chegará pois as elites apossaram-se dela e não pretendem largá-la.

Nunca se viu em século nenhum tantas fortuna acumuladas nem tanta gente a morrer de fome, de sede e de miséria.

Parece-me que a europa está a criar uma massa humana tão grande de gente pobre, sem emprego e desesperada, que não será difícil de antever anos de convulsões, manifestações e revoltas.

As comunidades brasileiras que cá vivem, de todas as profissões e idades, vieram seguramente á procura do el dourado como há séculos os portugueses foram em busca da árvore das patacas.

O el dourado existe, a àrvore das patacas também apenas foram apropriados pelas mãos erradas.

Creio que para que haja justiça social, distribuição equitativa das riquezas deste belo planeta é necessário e urgente mudarmos o rumos dos acontecimentos o que é o mesmo que dizer que se devem retirar esses bens a quem deles se apropriou indevidamente.

Não é possível que num planeta cuja tecnologia atingiu níveis fabulosos haja poucos com tudo e milhões sem as condições mínimas de subsistência.

Para as religiões, infelizmente, esta catrástrofe vai tendo explicação. Para quem, como eu, não é religioso, não tem.

É a mais vil ditadura do capital.



Texto: João Lagarto Brito

Webmaster: Paula Danielle Medeiros